- O que é rizotomia
- De onde vem a dor facetária
- Bloqueio diagnóstico × rizotomia terapêutica
- Quando a rizotomia pode ser indicada
- Como é feito o procedimento
- Como é a recuperação
- O que esperar dos resultados
- Sinais de alerta
- Quando procurar o especialista
O que é rizotomia?
Rizotomia é o nome dado a procedimentos que interrompem a transmissão de sinais de dor por pequenos ramos nervosos. Na prática da coluna, a forma mais comum é a rizotomia percutânea por radiofrequência — também chamada de denervação facetária ou ablação por radiofrequência. Nela, uma agulha especial, guiada por imagem, é posicionada junto aos ramos nervosos que levam a dor das articulações facetárias, e a ponta da agulha gera calor controlado que "desliga" temporariamente esses ramos.
É importante entender o que a rizotomia não é: não é cirurgia aberta, não corta o nervo principal que dá força e sensibilidade à perna ou ao braço, não usa implantes e não corrige hérnia de disco. Ela atua de forma muito localizada, apenas sobre ramos sensitivos finos, cuja única função relevante é transmitir a dor daquela articulação. Trata-se de um recurso da chamada medicina intervencionista da dor, que pode ser considerado em casos selecionados, dentro de um plano de tratamento mais amplo.
De onde vem a dor: as articulações facetárias
Cada vértebra se conecta à vizinha por meio de pequenas articulações na parte de trás da coluna, chamadas articulações facetárias. Elas permitem os movimentos de inclinar e girar o tronco e o pescoço. Com o passar dos anos — ou por sobrecarga, má postura e desgaste —, essas articulações podem sofrer artrose e inflamação, gerando a chamada dor facetária.
A dor facetária lombar costuma ser sentida na região das costas, pior ao ficar muito tempo em pé, ao estender o tronco para trás ou ao girar o corpo, podendo se espalhar para as nádegas e a parte de trás das coxas — em geral sem passar do joelho. Na coluna cervical, pode causar dor no pescoço e na região da nuca e dos ombros. Esse padrão é uma das causas frequentes de lombalgia crônica que não melhora com as medidas iniciais, e pode ser confundido com outras origens de dor, como a dor sacroilíaca — por isso a investigação cuidadosa é tão importante.
Bloqueio diagnóstico e rizotomia: qual a diferença?
Essa é uma das dúvidas mais comuns no consultório, e a distinção é essencial:
- Bloqueio diagnóstico: é a injeção de anestésico local, guiada por imagem, junto aos ramos nervosos suspeitos. O objetivo principal é testar: se a dor melhora de forma significativa nas horas seguintes, isso sugere que aquela articulação é de fato a origem do problema. O efeito do anestésico é passageiro por natureza.
- Rizotomia terapêutica: confirmada a origem facetária pelo bloqueio, a radiofrequência pode ser considerada para produzir um efeito mais duradouro sobre os mesmos ramos, buscando um período maior de controle da dor.
Ou seja: o bloqueio funciona como um "mapa" que aponta o alvo; a rizotomia é o passo seguinte, reservado para quem respondeu bem ao teste. Fazer a radiofrequência sem essa etapa de confirmação aumenta a chance de tratar o alvo errado. Se quiser se aprofundar, temos um artigo dedicado explicando como o bloqueio na coluna funciona e outro sobre a radiofrequência para dor na coluna.
Quando a rizotomia pode ser indicada
A rizotomia por radiofrequência não é tratamento de primeira linha nem serve para toda dor nas costas. Ela pode ser considerada, em casos selecionados e após avaliação especializada, quando se somam alguns critérios:
- Dor lombar ou cervical crônica com padrão sugestivo de origem facetária
- Tempo suficiente de tratamento conservador bem conduzido (medicação prescrita, fisioterapia, reabilitação ativa) sem controle adequado da dor
- Boa resposta, ainda que temporária, ao bloqueio diagnóstico guiado por imagem
- Ausência de outra causa que explique melhor a dor — como compressão de raiz nervosa, instabilidade importante ou causas não relacionadas à coluna
Também é um recurso que pode ser discutido em pacientes que respondem bem a infiltrações, mas com alívio de curta duração, exigindo repetições frequentes. Nesses casos, vale conhecer o artigo sobre quando a infiltração na coluna é indicada para entender onde cada procedimento se encaixa.
Como é feito o procedimento
A rizotomia percutânea por radiofrequência costuma seguir estas etapas, que podem variar conforme o serviço e o caso:
- Preparo: o paciente é posicionado deitado e a pele é higienizada; utiliza-se anestesia local e, quando necessário, sedação leve para conforto.
- Localização por imagem: com auxílio de radioscopia (raio-X em tempo real), o médico direciona agulhas finas até os pontos onde passam os ramos mediais — os nervos sensitivos das facetas.
- Testes de segurança: antes de aplicar a energia, são feitos testes de estímulo para confirmar a posição correta e afastar a proximidade de nervos motores.
- Aplicação da radiofrequência: a ponta da agulha aquece de forma controlada por alguns instantes, criando uma pequena lesão térmica no ramo sensitivo alvo. O processo é repetido nos níveis planejados.
- Observação e alta: após um curto período de observação, o paciente costuma receber alta no mesmo dia, acompanhado.
Todo o procedimento costuma durar em torno de 30 a 60 minutos, dependendo do número de níveis tratados. Não há cortes, pontos ou implantes — apenas as marcas das agulhas.
Como é a recuperação
A recuperação tende a ser rápida na maioria dos casos, mas as orientações exatas são sempre individuais. De modo geral:
- Primeiras 24 a 48 horas: repouso relativo, evitando esforços, cargas e movimentos bruscos; é comum haver dor ou sensibilidade local nos pontos de punção.
- Primeiros dias: algumas pessoas notam uma dor "diferente", em queimação ou ardência na região tratada, que costuma ser transitória e manejada com a medicação prescrita.
- Retorno às atividades: atividades leves geralmente são retomadas em poucos dias, e as demais de forma gradual, conforme liberação da equipe.
- Reabilitação: com a dor mais controlada, o fortalecimento e a reeducação do movimento ganham espaço — essa fase é parte essencial do plano, não um detalhe.
O alívio nem sempre é imediato: em parte dos pacientes, o efeito pleno se estabelece ao longo de dias a algumas semanas. O acompanhamento em consulta permite ajustar medicações e orientar a progressão da reabilitação.
O que esperar dos resultados
É fundamental alinhar expectativas com honestidade. A rizotomia por radiofrequência não promete eliminar a dor para sempre. Os ramos nervosos tratados podem se regenerar ao longo dos meses, e parte dos pacientes percebe retorno gradual dos sintomas com o tempo. A duração do alívio varia de pessoa para pessoa, e há quem responda melhor, quem responda parcialmente e quem não obtenha o resultado esperado.
Quando houve boa resposta e a dor retorna meses depois, a repetição do procedimento pode ser discutida em consulta. E quando a dor tem componentes mistos — facetário, muscular, neuropático —, a rizotomia é apenas uma das peças de um plano que inclui reabilitação, medicação prescrita e mudanças de hábitos.
Sinais de alerta: quando a dor nas costas exige prioridade
Alguns sintomas não combinam com dor facetária simples e pedem avaliação médica com urgência, antes de qualquer discussão sobre procedimentos:
- Perda de força na perna ou no pé, ou dificuldade progressiva para caminhar
- Alteração para controlar urina ou intestino e dormência na região íntima — sinais de emergência: procure atendimento imediato
- Dor intensa que desce pela perna com formigamento persistente
- Febre, perda de peso sem explicação ou dor que piora à noite
- Dor após queda ou trauma, principalmente em pessoas com osteoporose
Quando procurar o especialista
Vale procurar avaliação especializada quando a dor lombar ou cervical persiste por mais de algumas semanas apesar das medidas iniciais, quando ela limita trabalho, sono e atividade física, ou quando bloqueios e infiltrações trazem alívio apenas passageiro. O especialista em coluna e dor pode confirmar se a origem é realmente facetária, afastar outras causas e discutir — caso a caso — se a rizotomia por radiofrequência faz sentido dentro do seu plano de tratamento.
Tabela: bloqueio diagnóstico × rizotomia por radiofrequência
| Aspecto | Bloqueio diagnóstico | Rizotomia por radiofrequência |
|---|---|---|
| Objetivo | Confirmar a origem facetária da dor | Buscar alívio mais duradouro da dor confirmada |
| O que é aplicado | Anestésico local junto aos ramos nervosos | Calor controlado gerado pela ponta da agulha |
| Duração do efeito | Horas (efeito-teste, passageiro) | Variável, em geral por meses; pode ser repetida em casos selecionados |
| Tipo de procedimento | Percutâneo, guiado por imagem | Percutâneo, guiado por imagem, com testes de segurança |
| Papel no tratamento | Etapa de investigação | Etapa terapêutica, em casos selecionados, dentro de um plano com reabilitação |
Dor nas costas que insiste em voltar?
Se a sua dor lombar ou cervical persiste apesar dos tratamentos, ou se você já fez bloqueios com alívio apenas temporário, agende uma avaliação especializada com o Dr. Alessandro Almeida para investigar a origem da dor e discutir as opções para o seu caso.
Agendar avaliação pelo WhatsAppPerguntas frequentes
Rizotomia dói?
O procedimento é feito com anestesia local e, quando necessário, sedação leve, justamente para o conforto do paciente. Pode haver desconforto ou dor local nos primeiros dias após a rizotomia, que costuma ser controlada com medicação prescrita pela equipe. A experiência varia de pessoa para pessoa.
Rizotomia é cirurgia?
A rizotomia percutânea por radiofrequência é considerada um procedimento minimamente invasivo, feito por agulhas guiadas por imagem, sem cortes e sem implantes. Não é uma cirurgia aberta, mas exige ambiente adequado, equipe treinada e indicação criteriosa após avaliação especializada.
Quanto tempo dura o efeito da rizotomia?
A duração do alívio varia de pessoa para pessoa. Como os ramos nervosos tratados podem se regenerar ao longo dos meses, parte dos pacientes nota retorno gradual da dor com o tempo. Por isso o resultado não é garantido nem permanente, e o acompanhamento médico ajuda a definir os próximos passos em cada caso.
Quanto tempo de repouso depois da rizotomia?
Em geral, o paciente recebe alta no mesmo dia e a orientação costuma ser de repouso relativo por um curto período, com retorno gradual às atividades conforme liberação da equipe. As orientações exatas dependem de cada caso e devem ser seguidas conforme a prescrição médica individual.
Rizotomia trata hérnia de disco?
Não é essa a proposta. A rizotomia por radiofrequência atua nos pequenos ramos nervosos das articulações facetárias, e não na compressão de raiz nervosa causada por uma hérnia de disco. Dor ciática ou irradiada por hérnia costuma exigir outras estratégias, definidas após avaliação especializada.
A rizotomia pode ser repetida?
Em casos selecionados, sim. Quando o paciente teve boa resposta e a dor retorna após meses, a repetição do procedimento pode ser discutida com a equipe. A decisão depende da reavaliação clínica, do tempo de alívio obtido e do quadro atual — nunca é automática.

Artigo escrito por Dr. Alessandro Almeida
Neurocirurgião com atuação em dor, coluna, neurocirurgia funcional, neuromodulação e tratamentos minimamente invasivos.
CRM 52947458 • RQE 32267 e 40208.
Revisão técnica: Dr. Filipe Almeida — Neurocirurgião especialista em coluna — Chefe do serviço de Neurocirurgia HMSF — RQE 38590. Conteúdo educativo produzido para pacientes e familiares. Não substitui consulta médica.
- Sociedade Brasileira de Neurocirurgia — Procedimentos intervencionistas em coluna
- Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) — Dor lombar crônica e intervenções
- North American Spine Society (NASS) — Diretrizes sobre intervenções em articulações facetárias
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser individualizados após avaliação especializada. Não há promessa de resultado, cura ou indicação de procedimento sem consulta.