- O que significam L4-L5 e L5-S1
- Por que a hérnia acontece nesses níveis
- Sintomas da hérnia em L4-L5
- Sintomas da hérnia em L5-S1
- Como entender o laudo da ressonância
- Como é feito o diagnóstico
- Sinais de alerta
- Quando procurar o especialista
- Opções de tratamento e tabela comparativa
O que significam L4-L5 e L5-S1?
A coluna lombar é formada por cinco vértebras, numeradas de L1 a L5, apoiadas sobre o sacro (S1). Entre uma vértebra e outra existe o disco intervertebral, uma estrutura que funciona como amortecedor e permite o movimento. Quando o laudo cita "L4-L5", está falando do disco entre a quarta e a quinta vértebras lombares; "L5-S1" é o disco entre a última vértebra lombar e o sacro — o degrau mais baixo da coluna.
Esses dois níveis ficam na zona de transição entre a coluna móvel e a pelve fixa. É onde se concentra a maior parte da carga do tronco em todos os movimentos de flexão, rotação e levantamento de peso. Por isso, são também os níveis em que a hérnia de disco mais acontece: juntos, L4-L5 e L5-S1 respondem pela grande maioria das hérnias lombares.
Por que a hérnia acontece nesses níveis?
O disco tem um núcleo gelatinoso envolvido por um anel de fibras resistentes. Com a sobrecarga repetida e o desgaste natural, esse anel pode enfraquecer e permitir que parte do núcleo se desloque — é a hérnia. Entre os fatores que contribuem estão:
- Sobrecarga mecânica concentrada na transição lombossacra (L4-L5 e L5-S1)
- Desgaste natural do disco com o passar dos anos, que perde hidratação e altura
- Esforços com o tronco flexionado e rotação carregando peso
- Longos períodos sentado, sedentarismo e enfraquecimento da musculatura do tronco
- Tabagismo, obesidade e predisposição genética
Quando o fragmento herniado comprime ou inflama a raiz nervosa que passa naquele nível, surge a dor irradiada para a perna — a chamada radiculopatia, popularmente conhecida como "dor ciática".
Sintomas da hérnia em L4-L5
No nível L4-L5, a raiz mais frequentemente comprimida é a raiz L5. Cada raiz nervosa "abastece" uma faixa específica de pele e determinados músculos — o chamado dermátomo. Por isso, o trajeto da dor dá pistas valiosas sobre o nível afetado. Na compressão de L5, é comum notar:
- Dor que desce da lombar pela face lateral da coxa e da perna
- Formigamento ou dormência no peito do pé e no dedão
- Dificuldade para levantar a ponta do pé ou o dedão (fraqueza de dorsiflexão)
- Nos casos mais intensos, o chamado "pé caído", com tropeços frequentes e dificuldade para andar sobre o calcanhar
Sintomas da hérnia em L5-S1
Já no nível L5-S1, a raiz habitualmente comprimida é a raiz S1, e o padrão muda:
- Dor que desce pela parte de trás da coxa e da panturrilha
- Formigamento ou dormência na borda externa do pé e na planta, podendo chegar ao dedo mínimo
- Fraqueza para ficar na ponta do pé ou impulsionar o passo (flexão plantar)
- Diminuição do reflexo do tornozelo (reflexo aquileu), percebida no exame físico
Em ambos os níveis, a dor costuma piorar ao sentar por muito tempo, ao tossir, espirrar ou fazer esforço, e pode vir acompanhada de dor lombar local. Nem sempre o quadro segue o "mapa" de forma exata — a hérnia de disco lombar pode gerar padrões mistos, e só o exame clínico consegue correlacionar sintomas e imagem.
Como entender o laudo da ressonância
Poucas coisas geram tanta ansiedade quanto um laudo cheio de termos técnicos. Vale saber que existe uma gradação: o abaulamento é um alargamento difuso do disco; a protrusão é um deslocamento focal ainda contido; a extrusão ocorre quando o material do núcleo ultrapassa o anel fibroso; e o sequestro é o fragmento que se solta do disco. O laudo também descreve a localização (central, paracentral, foraminal), que ajuda a prever qual raiz pode ser afetada.
Um ponto essencial: achado de imagem não é sentença. Alterações discais em L4-L5 e L5-S1 são comuns mesmo em pessoas sem nenhuma dor, e hérnias volumosas podem regredir espontaneamente com o tempo. Por isso, o laudo nunca deve ser interpretado isoladamente — explicamos essa leitura em detalhe no artigo sobre a diferença entre protrusão discal e hérnia.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa na consulta: história da dor, trajeto da irradiação, fatores de piora e exame neurológico com testes de força, sensibilidade, reflexos e manobras específicas (como a elevação da perna estendida). A ressonância magnética é o exame de escolha para confirmar o nível e o tipo da hérnia, enquanto radiografias e, em casos selecionados, a eletroneuromiografia complementam a investigação quando há dúvida diagnóstica.
Sinais de alerta: quando a situação é urgente
Alguns sintomas indicam compressão nervosa importante e exigem avaliação imediata, sem esperar a consulta eletiva:
- Perda de força progressiva na perna ou no pé (pé caído que surge ou piora rapidamente)
- Alteração para controlar urina ou intestino — retenção ou incontinência
- Dormência na região íntima e entre as pernas (anestesia em sela)
- Dor incapacitante que não cede com as medidas iniciais, com piora rápida
A combinação desses sinais pode indicar a síndrome da cauda equina, uma emergência da coluna que exige atendimento hospitalar imediato.
Quando procurar o especialista
Procure avaliação especializada quando a dor irradiada para a perna persiste por mais de alguns dias apesar dos cuidados iniciais, quando há formigamento ou dormência constantes, quando as crises se repetem ou quando a dor limita trabalho, sono e atividades. O neurocirurgião especialista em coluna correlaciona o exame físico com a ressonância e monta um plano de tratamento individualizado — e, diante de qualquer sinal de alerta, a procura deve ser imediata.
Opções de tratamento
A boa notícia: a maioria das hérnias em L4-L5 e L5-S1 melhora sem cirurgia. O plano é montado em etapas, conforme a resposta de cada paciente:
- Medicação: analgésicos, anti-inflamatórios e medicamentos para dor de origem nervosa podem ser utilizados por período definido, sempre com prescrição e acompanhamento médico.
- Fisioterapia e reabilitação ativa: alívio da dor na fase aguda e, em seguida, fortalecimento do tronco, mobilidade e educação de movimento para reduzir recidivas.
- Atividade orientada: manter-se em movimento dentro do tolerável costuma acelerar a recuperação; repouso absoluto prolongado tende a atrasá-la.
- Procedimentos minimamente invasivos: em casos selecionados, bloqueios e infiltrações guiadas por imagem podem ser considerados para controlar a dor radicular e viabilizar a reabilitação, após avaliação especializada.
- Cirurgia: pode ser considerada em casos selecionados — como perda de força progressiva, sinais de alerta ou dor incapacitante refratária ao tratamento conservador bem conduzido. Técnicas como a microdiscectomia e a cirurgia endoscópica visam descomprimir a raiz nervosa preservando ao máximo as estruturas. Entenda os critérios no artigo quando a hérnia de disco precisa de cirurgia.
Tabela: hérnia L4-L5 e L5-S1 em comparação
| Aspecto | Hérnia L4-L5 (raiz L5) | Hérnia L5-S1 (raiz S1) |
|---|---|---|
| Trajeto típico da dor | Face lateral da coxa e da perna | Parte de trás da coxa e panturrilha |
| Formigamento/dormência | Peito do pé e dedão | Borda externa do pé e planta |
| Fraqueza possível | Levantar a ponta do pé ("pé caído") | Ficar na ponta do pé, impulsionar o passo |
| Reflexo alterado | Pouca alteração de reflexos | Reflexo do tornozelo (aquileu) diminuído |
| Tratamento inicial | Conservador na maioria dos casos; procedimentos e cirurgia em casos selecionados, após avaliação | |
Dor lombar descendo para a perna e um laudo com hérnia L4-L5 ou L5-S1?
Se a dor irradiada, o formigamento ou a fraqueza estão limitando a sua rotina, agende uma avaliação especializada com o Dr. Alessandro Almeida para correlacionar seus sintomas com o exame e definir o melhor caminho de tratamento para o seu caso.
Agendar avaliação pelo WhatsAppPerguntas frequentes
Hérnia de disco L4-L5 ou L5-S1 tem cura?
Grande parte das hérnias lombares melhora com tratamento conservador ao longo de semanas a meses, e uma parcela pode inclusive reduzir de tamanho com o tempo. A evolução varia de pessoa para pessoa, por isso o acompanhamento médico é importante para ajustar o plano de tratamento a cada fase, sem promessa de resultado.
Qual hérnia é mais grave: L4-L5 ou L5-S1?
Nenhum dos dois níveis é, por si só, mais grave que o outro. A gravidade depende do tamanho e da localização da hérnia, do grau de compressão da raiz nervosa e, principalmente, dos sintomas: dor, formigamento e sobretudo perda de força ou alterações urinárias. É a avaliação clínica, somada ao exame de imagem, que define a real importância do achado.
Hérnia L4-L5 ou L5-S1 sempre precisa de cirurgia?
Não. A maioria dos casos é tratada sem cirurgia, com medicação prescrita pelo médico, fisioterapia e reabilitação ativa. A cirurgia pode ser considerada em casos selecionados, após avaliação especializada — por exemplo, quando há perda de força progressiva, dor incapacitante que não responde ao tratamento bem conduzido ou sinais de compressão importante.
Quanto tempo demora para a hérnia L4-L5 ou L5-S1 melhorar?
Muitos pacientes apresentam melhora significativa da dor irradiada em 6 a 12 semanas de tratamento conservador bem orientado, mas o tempo varia conforme o tamanho da hérnia, o grau de inflamação da raiz e a adesão à reabilitação. Casos que não evoluem bem devem ser reavaliados pelo especialista.
Hérnia extrusa em L4-L5 ou L5-S1 é mais grave que protrusão?
Extrusão significa que o material do disco ultrapassou o anel fibroso, enquanto na protrusão ele apenas se abaúla. A extrusão tende a comprimir mais a raiz nervosa, mas o que define a conduta são os sintomas e o exame físico, não somente a palavra do laudo. Curiosamente, hérnias extrusas estão entre as que mais podem regredir espontaneamente.
Posso trabalhar e fazer exercício com hérnia L4-L5 ou L5-S1?
Na maioria dos casos, sim — o repouso absoluto prolongado costuma atrasar a recuperação. A atividade deve ser adaptada à fase do quadro e orientada por profissionais, evitando inicialmente cargas e movimentos que reproduzam a dor irradiada. O retorno pleno é definido de forma individualizada na consulta.

Artigo escrito por Dr. Alessandro Almeida
Neurocirurgião com atuação em dor, coluna, neurocirurgia funcional, neuromodulação e tratamentos minimamente invasivos.
CRM 52947458 • RQE 32267 e 40208.
Revisão técnica: Dr. Filipe Almeida — Neurocirurgião especialista em coluna — Chefe do serviço de Neurocirurgia HMSF — RQE 38590. Conteúdo educativo produzido para pacientes e familiares. Não substitui consulta médica.
- Sociedade Brasileira de Neurocirurgia — Hérnia de disco lombar
- Sociedade Brasileira de Coluna — Doenças degenerativas do disco intervertebral
- North American Spine Society (NASS) — Diretrizes sobre hérnia discal lombar com radiculopatia
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser individualizados após avaliação especializada. Não há promessa de resultado, cura ou indicação de procedimento sem consulta.